PESQUISA-AÇÃO EM PROL DA COOPERAÇÃO INTERORGANIZACIONAL: DEBATES, REPERCUSSÕES E PRÁTICAS

  • Fabiana Pimentel Santos UFBA
  • Eduardo Davel Universidade Federal da Bahia
Palavras-chave: pesquisa-ação, território, identidade, cooperação interorganizacional, desenvolvimento territorial

Resumo

Inserida no contexto da pesquisa social de base empírica, a pesquisa-ação é um método de pesquisa participativa caracterizado pela estreita relação entre pesquisador e objeto de pesquisa, bem como por propor uma sinergia entre teoria e prática ao perseguir um duplo resultado: produção de conhecimento e engajamento com a transformação social.  O objetivo do artigo é discutir sobre uma estratégia metodológica de pesquisa-ação voltada para a cooperação interorganizacional com base na identidade territorial, debatendo seus desafios e suas repercussões para o desenvolvimento territorial. A proposta se apoia em uma experiência de pesquisa-ação com foco na cooperação interorganizacional, realizada no contexto de gestão de equipamentos culturais. Trata-se de uma contribuição de carácter teórico-metodológico voltada a pesquisadores, sobretudo àqueles preocupados com a dimensão profissional, social e prática do conhecimento.

Biografia do Autor

Eduardo Davel, Universidade Federal da Bahia
Professor Adjunto da Universidade Federal da Bahia PhD em Management pela École des Hautes Études Commerciales (2006) - Canadá

Referências

Alvesson, M. (2013). The triumph of emptiness: consumption, higher education and work organization. Oxford: Oxford UniversityPress.

Alvesson, M. & Spicer, A. (2017). The stupidity paradox: the power and pitfalls of functional stupidity at work. London: Profile Books.

Araujo, L. (2000). As relações inter-organizacionais. In: S. B. Rodrigues & M. Pina e Cunha (Eds.). Estudos organizacionais: novas perspectivas na administração de empresas (pp. 501-523). São Paulo: Iglu.

Brandão, C. R. & Streck, D. R. (2006). (Eds.). Pesquisa participante: a partilha do saber. Aparecida: Ideias & Letras.

Bravo, M. E. (2008). Políticas culturales en Colombia. In: A. A. C. Rubim & R. Bayardo (Orgs.). Políticas culturais na Ibero América (pp. 119-137). Salvador: EDUFBA.

Brydon-Miller, M., Kral, M., Miguire, P., Noffke, S., & Sabhlok, A. (2011). Jazz and the banyan tree: roots and riffs on participatory action research. In: N. K. Denzin & Y. S. Lincoln (Eds.). The SAGE handbook of qualitative research (pp. 387-400). Los Angeles: Sage.

Cassell, C. & Johnson, P. (2006). Action research: explaining the diversity. Human Relations, 59(6), 783-814.

Castells, M. (1999). O poder da identidade – volume 2. São Paulo: Paz e Terra.

Coelho, T. (1997). Dicionário crítico de política cultural. São Paulo: Iluminuras.

Coghlan, D. & Brannick, T. (2001). Doing action research in your own organization. London: Sage.

Colbari, A. (2014). A análise de conteúdo e a pesquisa empírica qualitativa. In: Souza, E. M. (Ed.). Metodologias e analíticas qualitativas em pesquisa organizacional (pp. 241-276). Vitória: UFES.

Davel, E., Santos, F. P., & Dantas, M. (2016). Identidade cultural de territórios como política de gestão. Anais do Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, Costa do Sauípe, BA, Brasil, XL.

Dickens, L. & Watkins, K. (1999). Action research: rethinking Lewin. Management Learning, 30(2), 127-140.

Dionne, H. (2007). A pesquisa-ação para o desenvolvimento local. Brasília: Liber Livro.

Echeverri, R. (2009). Identidade e território no Brasil. Brasília: IICA.
Eden, C. & Huxham, C. (2006). Researching organizations using action research. In: S. R. Clegg, C. Hardy, T. Lawrence, & W. R. Nord (Eds.). The SAGE handbook of organization studies (pp. 238-254). London: Sage.

Eden, C. & Huxham, C. (1996). Action research for management research. British Journal of Management, 7(1), 75-86.

El Andaloussi, K. (2004). Pesquisas-ações: ciências, desenvolvimento e democracia. São Carlos: EdUFSCar.

Fischer, T. & Melo, V. P. (2004). Organizações e interorganizações na gestão do desenvolvimento territorial. Organizações & Sociedade, 11(n.spe), 13-41.

Flyvbjerg, B. (2006). Making organization research matter: power, values and phronesis. In: S. R. Clegg, C. Hardy, T. Lawrence, & W. R. Nord (Eds.). The SAGE handbook of organization studies (pp. 370-387). London: Sage.

Flyvbjerg, B. (2001). Making social science matter. Cambridge: Cambridge University Press.

Gorli, M., Nicolini, D., & Scaratti, G. (2015). Reflexivity in practice: tools and conditions for developing organizational authorship. Human Relations, 68(8), 1347-1375.

Greenwood, D. J. (2002). Action research: unfulfilled promises and unmet challenges. Concepts and Transformation, 7(2), 117-139.

Haesbaert, R. (2011). O mito da desterritorialização: do "fim dos territórios" à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.
Hall, S. (2006). Identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A.

Harvey, D. (2014). Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Loyola.

Hatch, M. J. & Schultz, M. (2009). Of brick sand brands: from corporate to enterprise branding. Organizational Dynamics, 38(2), 117-130.

Hatch, M. J. & Schultz, M. (2008). Taking brand initiative: how companies can align strategy, culture, and identity through corporate branding. São Francisco: Jossey-Bass.

Hatch, M. J. & Schultz, M. (1997). Relations between organizational culture, identity and image. European Journal of Marketing, 31(5/6), 356-365.

Holliday, O. J. (2006). Sistematização das experiências: algumas apreciações. In: C. R. Brandão & D. R. Streck (Orgs). Pesquisa participante: a partilha do saber (p. 227-243). Aparecida: Ideias & Letras.

Huxham, C. (2003). Action research as a methodology for theory development. Policy & Politics, 31(2), 239-248.

Huxham, C. & Vangen, S. (2003). Researching organizational practice through action research: case studies and design choices. Organizational Research Methods, 6(3), 383-403.

James, E. A., Slater, T., & Bucknam, A. (2012). Action research for business, non profit, and public administration: a tool for complex times. Los Angeles: Sage.

Koshy, E., Koshy, V., & Waterman, H. (2010). Action research in healthcare. London: Sage.

Lefebvre, H. (1991). The production of space. Oxford: Blackwell.
Macdonald, C. (2012). Understanding participatory action research: a qualitative research methodology Option. Canadian Journal of Action Research, 13(2), 34-50.

Macke, J. (2006). A pesquisa-ação como estratégia de pesquisa participativa. In: c. k. Godoi, R. Bandeira-De-Mello, & A. B. Silva (Orgs.). Pesquisa qualitativa em estudos organizacionais: paradigmas, estratégias e métodos (pp. 207-239). São Paulo: Saraiva.

Mahmoud-Jouini, S. B., Paris, T., & Bureau, S. (2010). La recherche-accompagnement: entre accompagnement et recherche-intervention. Revue de l'Éntrepreneuriat, 9(2), 56-75.
Mcintosh, P. (2010). Action research and reflective practice: creative and visual methods to facilitate reflection and learning. Lodon: Routledge.

Mcniff, J. & Whitehead, J. (2009). Doing and writing action research. Los Angeles: Sage.

Patton, M. (2002). Qualitative research & evaluation methods. Londres: Sage.

Reason, P. & Bradbury, H. (2001). (Eds.). Handbook of action research: participative inquiry and practice. London: Sage.

Ripamonti, S., Galuppo, L., Gorli, M., Scaratti, G., & Cunliffe, A. L. (2016). Pushing action research toward reflexive practice. Journal of Management Inquiry, 25(1), 55-68.

Sachs, I. (2005). Desenvolvimento e cultura. Desenvolvimento da cultura. Cultura do desenvolvimento. Organizações & Sociedade, 12(33), 151-165.

Saquet, M. A. & Briskievicz, M. (2009). Territorialidade e identidade: um patrimônio no desenvolvimento territorial. Caderno Prudentino de Geografia, 1(31), 3-16.

Saraiva, L. A. S., Carrieri, A. P., & Soares, A. S. (2014). Territorialidade e identidade nas organizações: o caso do mercado central de Belo Horizonte. Revista de Administração Mackenzie, 15(2), 97-126.

Schultz, M. & Hatch, M. J. (2006). A cultural perspective on corporate branding: the case of LEGO Group. In: J. Schroeder, J. & M. Salzer-Morling (Eds.). Brand culture (pp. 14-29). London: Routledge.

Sennett, R. (2014). O declínio do homem público: as tiranias da intimidade. Rio de Janeiro: Record.

Shotter, J. (2010). Situated dialogic action research: disclosing ‘‘beginnings’’ for innovative change in organizations. Organization Research Methods, 13(2), 268-285.

Thiollent, M. (2011). Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez.

Thiollent, M. (2009). Pesquisa-ação nas organizações. São Paulo: Atlas.

Van de Ven, A. H. (2007). Engaged scholarship: a guide for organizational and social research. Oxford: Oxford University Press.

Vergara, S. C. (2009). Métodos de coleta de dados no campo. São Paulo: Atlas.

Vergara, S. C. (2005). Métodos de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas.

Wicks, P. G. & Reason, P. (2009). Initiating action research: challenges and paradoxes of opening communicative space. Action Research, 7(3), 243-262.
Publicado
2018-07-24
Seção
Artigos