AS INCUBADORAS TECNOLÓGICAS DE COOPERATIVAS POPULARES (ITCP) NA CONSTRUÇÃO DA CONTRA HEGEMONIA ACADÊMICA

  • Lais Fraga Unicamp
Palavras-chave: Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, Autogestão, Ciência e tecnologia, Extensão universitária, Universidade

Resumo

Em um contexto de mobilização diante das mudanças no mundo do trabalho e do ressurgimento da alternativa do trabalho coletivo e autogerido, surgem as Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares. No âmbito da extensão universitária, a ideia de transferência de conhecimento não é novidade nem o é a sua crítica. Ainda assim, na atuação das incubadoras, acreditamos que ela permanece e esta é a provocação deste texto. As ITCPs parecem atuar a partir de uma contradição: se por um lado apontam como missão possibilitar o acesso dos grupos populares ao conhecimento gerado na universidade, por outro, afirmam que esse processo não pode ser uma imposição e que é preciso respeitar o saber popular e promover a troca de saberes. A pergunta que fica é: se a questão é o acesso ao conhecimento, isto é, a divulgação de conhecimentos acumulados na academia, como isso pode não ser uma imposição?

Biografia do Autor

Lais Fraga, Unicamp

Faculdade de Ciências Aplicadas

Referências

Antunes, R. (2005). O caracol e a sua concha. São Paulo: Boitempo.

Bernardo, J. (2005). A autogestão da sociedade prepara-se na autogestão das lutas. Piá Piou!, 3. Recuperado em 17 julho, 2018, de: http://coletivotrinca.wordpress.com/2009/01/26/ a-autogestao-da-sociedade-prepara-se-na- autogestao-das-lutas/

Bocayuva, P. C. C. (2001). Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares/COPPE/UFRJ. In: I. Camarotti & P. Spink. Redução da pobreza e dinâmicas locais (pp. 235-263). Rio de Janeiro: FGV.

Braverman, H. (1987). Trabalho e capital monopolista: a degradação do trabalho no seculo XX (3a ed.). Rio de Janeiro: Guanabara.

Coimbra, A. L. S. & Souza, M. B. (2007). Princípios e ações em economia solidária: a Intercoop/UFJF e o cooperativismo popular com egressos do sistema penitenciário de Juiz de Fora/MG. Proposta: Revista Trimestral de Debate da Fase, 31(112), 4-15.

Costa, F. X. P., Oliveira, I. C., & Melo Neto, J. F. (2006). Incubação de empreendimento solidário popular: fragmentos teóricos. João Pessoa: UFPB.

Cunha, G. C. (2002). Economia Solidária e Políticas Públicas: reflexões a partir do caso do programa Incubadoras de Cooperativas, da Prefeitura Municipal de Santo André, SP. Dissertação de mestrado, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Dagnino, R. (2012). Elementos para uma avaliação das incubadoras universitárias de cooperativas. Otra Economía, 6(11), 184-197.

Dagnino, R. P. (2010a). Um dilema latinoamericano: ciência e tecnologia para a sociedade ou adequação sócio-técnica para o povo? In: R. Dagnino. (Org.). Estudos sociais da ciência e tecnologia & política de ciência e tecnologia (pp. 265-292). Campina Grande: UFPB.

Dagnino, R. P. (Org.). (2010b). Tecnologia Social: ferramenta para construir outra sociedade. Campinas: Komedi.

Dubeux, A. (2007). O papel das Universidades na construção da economia solidária no Brasil. Proposta: Revista Trimestral de Debate da FASE, 31(111), 4-15.

Faria, M. S. (2005). Autogestão, cooperativa, economia solidária: avatares do trabalho e do capital. Tese de doutorado, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil.

Fraga, L. S. (2018). As Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares e as relações entre ciência, tecnologia e sociedade. Revista Tecnologia e Sociedade, 14(31), 140-155.

Fraga, L. S. (2017). Transferência de conhecimento e suas armadilhas na extensão universitária brasileira. Avaliação: Revista da Avaliação da Educação Superior, 22, 403-419.

Fraga, L. S. (2012). Extensão e transferência de conhecimento: as Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares. Tese de doutorado, Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil.

Guimarães, G. & Salomão, I. (2006). Planejamento e gestão de incubadoras de tecnologias sociais para o desenvolvimento: características e instrumentos. Brasília: ANPROTEC/SEBRAE.

Hirata, H. & Segnini, L. (2007). Organização, trabalho e gênero. São Paulo: SENAC.

ITCP/UNICAMP. (2009). Empírica: caderno de metodologia. Campinas: IE/ Unicamp.

Kruppa, S. M. P. & Sanchez, F. J. B. (2002). Metodologia de incubagem: uma tentativa de problematização. São Paulo: Mimeo.

Mészáros, I. (2004). O poder da ideologia. São Paulo: Boitempo apud Novaes, H. T. (2011). O retorno do caracol a sua concha: alienação e desalienação em associações de trabalhadores. São Paulo: Expressão Popular.

Nascimento, C. (2008). Autogestão: economia solidária e utopia. Otra Economía, 2(3), 27-40.

Nascimento, C. (2007). Autogestão: palavra e ideia. In: Economia solidária e autogestão (pp. 29-46). São Paulo: NESOL/ITCP-USP.

Novaes, H. T. (2012). Reatando um fio rompido: a relação universidade-movimentos sociais na América Latina. São Paulo: Expressão Popular.

Novaes, H. T. (2011). O retorno do caracol a sua concha: alienação e desalienação em associações de trabalhadores. São Paulo: Expressão Popular.

Novaes, H. T. (2007). O fetiche da tecnologia: a experiencia das fabricas recuperadas. São Paulo: Expressão Popular.

Pinheiro, D. C. & Paula, A. P. P. (2010). “Quem educa os educadores?”: a autogestão e os processos de formação nas incubadoras tecnológicas de cooperativas populares. Gerais: Revista Interinstitucional de Psicologia, 3(1), 52-66.

Quijano, A. (2002). El nuevo imaginario anticapitalista. América Latina en Movimiento, 351, p. 14-22. Recuperado em 17 julho, 2018, de: http://red.pucp.edu.pe/ridei/files/2011/08/090706.pdf

Singer, P. (2005). A economia solidária como ato pedagógico. In: S. Kruppa (Org.). Economia solidária e educação de jovens e adultos (pp. 13-20). Brasília: INEP.

Singer, P. (2000). Incubadoras universitárias de cooperativas: um relato a partir da experiência da USP. In: P. Singer & A. Souza (Orgs.). A economia solidária no Brasil: a autogestão como resposta ao desemprego (pp. 123-134). São Paulo: Contexto.

Thiollent, M. (2005). Perspectivas da metodologia de pesquisa participativa e de pesquisa-ação na elaboração de projetos sociais e solidários. In: S. Lianza & F. Addor. Tecnologia e desenvolvimento social e solidário (pp. 172-189). Porto Alegre: UFRGS.

Thiollent, M. (2002). Construção do conhecimento e metodologia da extensão. João Pessoa: ICBEU.

Thiollent, M. (1998). Maio de 1968 em Paris: testemunho de um estudante. Tempo Social, Revista de Sociologia da USP, 10(2), 63-100.

Tragtenberg, M. (1986). Reflexões sobre o socialismo. São Paulo: Moderna.

Tragtenberg, M. (1979). A delinquência acadêmica: o poder sem saber e o saber sem poder. São Paulo: Rumo.

Varanda, A. P. M. (2007). Contribuições ao processo de institucionalização do Proninc. Proposta: Revista Trimestral de Debate da FASE, 31(111), 27-33.

Wirth, I., Fraga, L., & Novaes, H. T. (2011). Educação, trabalho e autogestão: limites e possibilidades da economia solidária. In: E. L. Batista & H. T. Novaes (Orgs.). Trabalho, educação e reprodução social: as contradições do capital no século XXI (pp. 191-218). Bauru: Canal 6.
Publicado
2018-07-24
Seção
Dossiê "Organizações Alternativas e Contra Hegemônicas"